quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

A DEUSA DO JARDIM DAS HESPÉRIDES NA REVISTA OPHIUSA DE FEVEREIRO 2018



LIVRO A Deusa do Jardim das Hespérides
Luiza Frazão, Zéfiro, 2017


O conhecimento da terra que nos gerou e gera continuamente enquanto tivermos vida é também o conhecimento de uma vertente do Ser que, devido ao carácter invasor da cultura dominante, adquire a dimensão de um Outro encoberto. Ou melhor, a Outra, a Face desafiante do Sagrado Feminino. Esta é a promessa de A Deusa do Jardim das Hespérides: desvelar a dimensão encoberta do Sagrado Feminino no território português, demasiadas vezes negligenciado pelos investigadores da área religiosa, e por conseguinte, pelos próprios praticantes e devotos pagãos.

Apesar de o nosso conhecimento histórico actual ter desmistificado muito do imaginário de Avalon, é um facto que a Ilha das Maçãs continua a fornecer uma estrutura útil para diagramar os mistérios que para nós se têm manifestado no feminino. Desta feita, o colégio das nove Deusas é composto por deidades da Península Ibérica, não só das mitologias pré-cristãs, mas também de figuras consagradas pelo Catolicismo popular. Ao centro, sob a macieira, a Senhora é a própria Ibéria, ou quiçá a Ophiusa que nos inicia através da Serpente.

Luiza Frazão convida-nos a percorrer a Roda do Ano através do prisma das várias Deusas ibéricas, das árvores que lhes estão associadas, dos seus animais de poder e de uma série de outras associações de carácter lírico-especulativo capazes de enriquecer a nossa caminhada pelas estações.

Por detrás deste trabalho de pesquisa e de partilha pessoal, está
também o sonho da recuperação do culto à(s) Deusa(s) em Portugal, consubstanciado num templo físico e em vocações sacerdotais. Aliás, esta obra é ela mesma um convite para o despertar da Sacerdotisa que vive em cada praticante pagã: a mulher que media este e o Outro Mundo e alcança enfim a consciência da sua própria divindade. Uma alma que se redescobre e desvela no Jardim das Hespérides.
Fábio Barbosa


quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

IMBOLC, A VIVIFICAÇÃO




A palavra “Imbolc” significa “no leite”, ou “leite de ovelha”, leite das ovelhas na altura do nascimento das suas primeiras crias, sinónimos de vida nova, de renascimento e renovação. Trata-se, pois, desse momento do ano em que sentimos que a vida volta à superfície depois da quietude da hibernação da estação anterior. Quando sentimos que o nosso mergulho na interioridade já durou o suficiente; quando já temos saudades da luz e do calor e os dias começam a ficar progressivamente maiores e nos apetece criar, celebrar a vida, sair de casa, sair para o mundo, concretizar projetos; quando surgem ainda que vagas as primeiras promessas do vigor primaveril, a Deusa Menina voltou, ocupando o lugar da Anciã que reinou nos árduos meses do Inverno. Foi a Anciã, que mantendo ciosa o seu tempo de quietude, de vida inclusa, em que à superfície nada cresceu, que ajudou a morte a cumprir o seu papel de limpar e de preparar o terreno para o recomeço. Por isso o abutre, que limpa a carne putrefacta dos cadáveres dos animais que não resistiram aos rigores do inverno, é uma das aves sagradas de Ana, ou Dana, Deusa honrada entre nós no Yule, Senhora do Inverno. Sem o poder da Deusa Anciã, a guardiã das sementes, não há lugar para a nova vida.

Sabemos que na nossa tradição esta festa foi muito importante e ainda o é em alguns locais, embora a Igreja Católica tenha por vezes trocado as voltas e mudado as datas, como aconteceu na freguesia do Reguengo do Fetal, por exemplo, onde uma celebração nitidamente com características do Imbolc se celebra agora no princípio do mês de outubro. Trata-se duma festa com uma procissão noturna desfilando por ruas iluminadas por milhares de cascas de caracóis transformadas para a ocasião em candeias alimentadas a azeite. Sem dúvida uma tradição muitíssimo antiga com raízes pagãs porquanto a casca do caracol é um dos símbolos da Deusa do Inverno, da Senhora dos Ossos, sendo estes, à semelhança das cascas, símbolos de permanência, daquilo que é estrutural e essencial e que sobrevive à morte. A casca do caracol transformada agora em candeia, portadora da luz que ressurge, é perfeita para evocar e celebrar a metamorfose da Anciã em Menina.

Esta festividade, como tantas outras, foi cristianizada, transferida para o dia 2 de fevereiro, tomando a designação de Candelária, ou Festa das Candeias, em inglês Candlemass, quando se benziam as velas. O seu sentido passou a estar associada à “purificação” de Nossa Senhora, presumindo-se que o parto a tornara impura, claro, bem como à apresentação de Jesus no templo. Antigas tradições pagãs persistiram, entretanto, na cultura popular, como os fritos, as filhoses fritas em azeite, e outras. Lembro-me de em minha casa a minha mãe fazer sempre neste dia a sua receita especial de filhoses alentejanas. Numa freguesia perto do local onde nasci, na Zona Centro, entretanto, foi hábito até mais ou menos ao final da primeira metade do século XX, fazer pequenos bolos fritos, as velhoses, expressamente para serem oferecidos às oliveiras, colocando-se um junto de cada uma das que se possuíam, como forma de agradecimento pela luz e pelo alimento recebidos durante o ano.

in A Deusa do Jardim das Hespérides: Desvelando a Dimensão Encoberta do Sagrado Feminino em Portugal, Luiza Frazão

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

NEWSLETTER JANEIRO 2018



Saudações a todas e a todos,

Embora o ano da Deusa tenha terminado pelo Samhain, quando um novo ciclo começa, na cultura em que estamos mergulhadas e mergulhados, entretanto, considera-se que um novo ano teve início há apenas três dias. Seja como for, entrámos, pelo Solstício, no reino da Senhora do Inverno, da Montanha, dos Ossos, da Pedra e das Estrelas. Estamos no tempo entre vidas, no tempo da Grande Tecedeira, da Moura Tecedeira, Aquela que tece os fios do Destino e por isso esta é a altura ideal para sonharmos uma Nova Vida, uma vida em que a Deusa esteja mais presente, seja mais conhecida, amada e cultuada, conectando-nos com a Sua Natureza, com a nossa Alma e a Alma do Mundo.
Neste momento, a Natureza repousa e no interior do corpo da Mãe Terra, após os processos de decomposição das plantas cuja vida terminou pelo Samhain, as sementes, libertas da antiga forma, sonham agora na escuridão e no silêncio, com uma nova existência, que eclodirá aos primeiros sinais da Primavera. O convite é para fazermos o mesmo, tendo deixado ir nós também a velha forma pelo Samhain - velhos apegos, hábitos nocivos, falsas expectativas, antigas maneiras de agirmos que já provaram a sua ineficácia e negatividade. Tempo de pousio e de aprofundamento, excelente para explorarmos a história da nossa ancestralidade e da nossa alma, bem como da cultura em que vivemos, para nos abrirmos à sabedoria das nossas anciãs e anciãos. Tempo ideal para irmos mais fundo na nossa vida espiritual, para aprendermos a louvar a Deusa através da oração, da música, do canto e da dança.
Neste tempo de quietude e de silêncio, o Templo da Deusa do Jardim das Hespérides, em Óbidos, como espaço livre de conexão com a Deusa, estará aberto às terças, quartas e quintas-feiras, entre as 14 e as 17 horas.
Outras atividades a decorrer ou a iniciar em breve no Templo:
- Treino de Sacerdotisa e de Sacerdote da Deusa do Jardim das Hespérides, Espiral 1
- Curso Magna Mater (correio eletrónico)
- Curso O Despertar da Sacerdotisa, com início a 3 e 4 de fevereiro
Atividades em outros locais:
- Porto, Loja dos Segredos, 20 de janeiro (lotação quase esgotada) – “Reclamando e Resgatando uma Herança Psíquica Perdida, workshop de um dia, com apresentação do meu livro “A Deusa do Jardim das Hespérides”, entre as 10 e as 18 horas.
- Algarve, FNAC da Guia, Albufeira, 09 de fevereiro, às 23h00 – apresentação do meu livro “A Deusa do Jardim das Hespérides: Desvelando a Dimensão Encoberta do Sagrado Feminino em Portugal”
- Algarve, 10 e 11 de fevereiro, Retiro Sagrado Feminino Imbolc
- Celebrações da Roda do Ano – próxima, Imbolc, será a 1 de fevereiro
- Informando ainda que a Associação Cultural Jardim das Hespérides foi finalmente criada! Sugiro que, caso concorde com os objetivos, peça a ficha de inscrição, ver: https://jardimdashesperide.wixsite.com/associacao
Possamos todas e todos contribuir para que os véus que por tanto tempo encobriram o nosso Jardim das Hespérides sejam finalmente removidos, e possamos nós aceitar receber a mágica herança deixada pelas nossas antepassadas e antepassados que aqui honraram e cultuaram a Deusa e a Sua sagrada Natureza.   
A minha profunda gratidão a todas as pessoas que têm partilhado este sonho comigo, e em especial à Deusa por derramar sobre nós as Suas bênçãos de Amor, Vitalidade, Alegria, Abundância e sentido de Propósito.
 Muitas bênçãos de Cale para todas e para todos!